domingo, 5 de janeiro de 2025

O Sono Dos Pássaros Em Lugares Onde Não Anoitece


O sono é essencial para a saúde e qualidade de vida, porém, certos animais dormem de modo curioso. Para os pássaros, por exemplo, a forma mais comum de dormir é em pé, usando suas garras para ficar firmes em algum galho, normalmente em locais mais altos.

Algumas espécies apoiam somente uma pata no galho, aproximando a outra do corpo mantendo-os aquecidos.

Por se sentirem constantemente ameaçadas por predadores, alguns desenvolveram uma técnica para se manter em alerta, dormindo com um olho aberto e outro fechado, ficando em estado de sonolência. Ao mesmo tempo que descansam, eles estão preparados para fugir.

Muitos pássaros dormem com a cabeça escondida embaixo de uma das asas, como alguns fazem na gaiola, pois assim se sentem seguros e sem constantes ameaças de predadores.

Certas espécies migratórias, que passam dias voando, dormem parcialmente em pleno ar, com apenas um olho fechado. Eles entram em estado de sonolência para descansar, ao mesmo tempo, em que não precisam interromper o voo.

Há também aqueles que têm os pés firmemente fixados ao galho ou fio, flexionando os joelhos e ficando levemente agachadas. Enquanto as pernas estão flexionadas, os músculos dessa região ficam travados. Assim, o passarinho não consegue abrir e relaxar os dedos, portanto, não cai.

Somente quando a perna estiver esticada, ou seja, o passarinho estiver de pé, os músculos da perna permitem mexer os dedos. Assim, o passarinho dorme tranquilamente sem se preocupar em cair.

O sono das aves é comandado pela luminosidade, então, logo que o dia está clareando, a maioria das espécies desperta. Quando está anoitecendo, elas se recolhem para descansar.

Embora a maioria das espécies acompanhe essa rotina, os passarinhos de hábitos noturnos fazem o inverso. Isso porque eles são ativos durante a noite e precisam repousar durante o dia.

Mesmo ficando menos ativo durante a noite, isso não quer dizer que o passarinho dorme a noite toda. Há pássaros que dormem cerca de 40 minutos por dia, como as aves migratórias.

Entretanto, algumas espécies domésticas podem dormir até 12 horas por dia, mesmo que seja em intervalos intercalados. Elas não necessariamente dormem todas essas horas seguidas.

Além disso, a hora que o passarinho dorme e a duração da soneca também variam conforme a estação do ano. No verão, por ter mais incidência da luz solar, as aves dormem menos do que no inverno.

As horas de sono do passarinho em relação à estação do ano também estão ligadas ao controle da temperatura corporal. No frio, a posição de agachar, recolher a cabeça embaixo da asa ou aproximar uma das patas ao corpo são maneiras de se manter aquecido.

Nos últimos tempos, pesquisadores observaram que, com o crescimento das cidades, os hábitos dos passarinhos também mudaram. Com a urbanização e o consequente aumento dos barulhos de automóveis, máquinas e pessoas circulando, as aves estão acordando cada vez mais cedo.

Há lugares onde o sol não se põe por meses. Nessas condições, certas espécies dormem entre 21 horas e meia-noite, por esse período ser frequentemente mais frio e um pouco menos iluminado.

Para animais em latitudes mais baixas, a liberação de melatonina é desencadeada pelo início da escuridão.

No Ártico, os níveis hormonais podem ter aumentado devido à intensidade reduzida da luz neste período. Temperaturas mais baixas à noite inibem insetos, o principal alimento para muitos pássaros. Por isso, faz sentido para as aves dormirem nesse momento, mesmo que ainda esteja claro.

Referências:

https://www.petz.com.br/blog/especies/aves/passarinho-dorme/
https://thewire.in/science/circadian-rhythm-arctic-warbler-bunting-reindeer-superchiasmatic-nucleus

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Quando Foi Implantado O Calendário Que Usamos?


O calendário que utilizamos hoje teve o uso autorizado pelo Papa Gregório XIII (1502-1585), que assinou um documento determinando uma reforma na maneira de contar o tempo. Surgia aí o calendário gregoriano. 

Para aquele ano, ficava determinado um ajuste nas datas — o dia seguinte ao 4 de outubro, quinta-feira, não seria a sexta-feira, 5 de outubro, mas, sim, a sexta-feira, 15 de outubro de 1582. O motivo da mudança se deu pelo fato de que há séculos estudiosos vinham alertando que o calendário vigente estava obsoleto — com o passar do tempo, cada vez menos a contagem dos dias correspondia aos fatos do calendário solar, dos equinócios e às próprias estações do ano.

Juliano era o calendário utilizado até então, um legado da Roma antiga, praticado desde cerca do ano de 45 a.C.. O mesmo já havia passado por alguns ajustes para tentar corrigir desvios ou para render homenagens a imperadores romanos que passaram a emprestar seus nomes a alguns meses.

A solução adotada por Gregório XIII foi sofisticada por dois motivos: ela remediava o estrago já feito, ao "pular" dez dias e, assim, ajustar novamente a contagem humana de forma correspondente à natural; e prevenia novos desarranjos, ao melhorar a regra, já adotada, do ano bissexto. O ano bissexto, ou seja, esse acréscimo de um dia a mais no calendário de tempos em tempos, foi criado juntamente com o calendário juliano.

Já se tinha percebido, portanto, que o ano não tinha exatamente 365 dias, mas um pouquinho a mais. Se colocado esse dia a mais de vez em quando, pronto, o ajuste ficava feito. Mas era muito impreciso o conhecimento astronômico da época. Assim, o tal dia acrescido já foi a cada três anos, depois a cada quatro.

Por motivos políticos e desencontros, houve épocas em que simplesmente essa mudança não ocorria. Dezesseis séculos depois, era de se imaginar como as coisas estavam desarranjadas. Mas, graças a uma comissão científica convocada pelo Papa Gregório, descobriu-se que, se a adoção de um dia ocorresse simplesmente a cada quatro anos, com o passar do tempo, a conta não iria fechar de novo.

O calendário gregoriano tem os mesmos dias que o calendário juliano, mas a contagem dos anos bissextos é diferente. Os anos bissextos acontecem a cada 4 anos nos dois calendários, mas enquanto no calendário juliano a cada 4 anos é sempre ano bissexto, no calendário gregoriano existe uma regra que diz que os anos bissextos acontecem a cada 4 anos, mas com a condição de que esse ano seja múltiplo de 4 e 400, mas não seja divisível de 100. Por esse motivo, atualmente os dois calendários estão com uma diferença de 13 dias. 

Referências:

https://www.calendarr.com/brasil/calendario-juliano/
https://www.terra.com.br/noticias/calendario-gregoriano-como-papa-gregorio-13-mudou-contagem-dos-dias-ha-440-anos,6c3e64fd0bb24bf8d03b2ec7c669acd73ubgzibs.html#google_vignette

domingo, 29 de dezembro de 2024

A Origem Dos Fogos De Artifício


A pirotecnia tem origem milenar: o conceito dos fogos de artifício é mais antigo que a própria descoberta da pólvora. 

No século II a.C., na China, era comum jogar pedaços de bambu-verde em fogueiras durante festividades. A planta tem bolsas de ar no interior do caule que se formam durante o crescimento, e quando jogada no fogo, essas bolsas incham e estouram, gerando um som de estalo. Os chineses acreditavam que esse barulho alto espantava maus espíritos – até hoje as comemorações de Ano-Novo por lá contam com fogos e estalinhos para afastar os espíritos e começar bem o ano.

A química ainda não existia como ciência na época, e a pólvora – principal componente do fogo de artifício – foi descoberta na China apenas no século IX, quando um alquimista chinês juntou, acidentalmente, salitre, enxofre e carvão e aqueceu a mistura (a pólvora tem uma composição típica de 75% de nitrato de potássio, 15% de carvão e 10% de enxofre). Os primeiros mestres pirotécnicos eram, na verdade, alquimistas que mantinham em segredo as suas receitas geradoras de fogos coloridos.

Aliás, a coloração que vemos durante a queima dos fogos é produzida a partir do uso de diferentes sais em reação ao calor liberado nas explosões da pólvora. O vermelho, por exemplo, é produzido utilizando-se sais de estrôncio ou de lítio. Já o laranja, em geral, é produzido a partir dos sais de cálcio, entre eles o cloreto de cálcio. Para o amarelo, é usado o cloreto de sódio, para o verde, o cloreto de bário e o azul vem do cloreto de cobre.

Parte desses sais é encontrada na natureza e obtidos diretamente pela extração ou mineração. Outros precisam ser produzidos e fornecidos pelas indústrias de cloro-álcalis utilizando-se diferentes metodologias, entre elas o processo conhecido como eletrólise, que consiste na passagem de corrente pela salmoura, solução de água e de sais.

Nem todos se alegram com a queima de fogos, especialmente pessoas do espectro autista e animais que possuem uma audição apurada, como os cães. Por conta disso, muitas cidades têm restringido esta prática. Mas isso não significa o fim do espetáculo. Há diversas opções de fogos que produzem apenas efeitos visuais, sem estampido ou com barulho de baixa intensidade. 

Além dos bem conhecidos problemas de segurança, a beleza dos fogos de artifício tem outro senão: a poluição. E há esforços no sentido de encontrar a fórmula adequada para um fogo de artifício mais amigo do ambiente. Assim, em alguns espetáculos, os foguetes são enviados para o ar graças a um sistema de gás compressor, o que evita a utilização da pólvora no momento do lançamento. Desta forma, diminui a libertação de gases poluentes como o NOx, CO e SOx. Também os percloratos utilizados como explosivos no interior das estrelas são identificados como prejudiciais à saúde humana e, por isso, os químicos têm procurado substituí-los.

Os compostos com elevada percentagem de nitrogênio, como os derivados do triazol e da tetrazina (FIGURA 3), ou de oxigênio, como a nitrocelulose, têm-se revelado muito eficazes nesta área, proporcionando quase sempre uma combustão completa, praticamente sem libertação de fumos – o que permite diminuir também a quantidade de sais e intensificadores de cor utilizados. Tudo para que seja possível admirar um espetáculo de fogo de artifício, livre de sentimentos de culpa!

Referências:

https://www.abiclor.com.br/fogos-de-artificio-o-espetaculo-dos-cloretos/
https://rce.casadasciencias.org/rceapp/art/2019/011/
https://super.abril.com.br/historia/os-primeiros-fogos-de-artificio-eram-bolsoes-de-ar-estourando-em-caules-de-bambu